ESTUDO XIV

O REINO DE DEUS

— A proeminência do tema. 
— O caráter do Reino. 
— O Reino durante a Idade Evangélica. 
— Idéias falsas corrigidas por Paulo. 
— Resultado das falsas idéias acerca do Reino. 
— Duas fases do Reino de Deus. 
— A fase espiritual e sua obra. 
— A fase terrestre e sua obra.
— Harmonia de suas operações. 
— A glória da fase terrestre. 
— A glória da fase celestial. 
— O Pacto original do qual brotam estas ramificações. 
— A fase terrestre do Reino será israelítica. 
— As tribos perdidas. 
— A Jerusalém Celestial. 
— Israel, um povo típico. 
— A perda e recuperação de Israel. 
— As classes escolhidas.
— Os herdeiros do Reino. 
— O Regime de ferro. 
— Ilustração do objetivo do Reino Milenário. 
— Entregado o Reino ao Pai. 
— O Plano original de Deus concluído em sua totalidade.
     [315]

 

     SEJA QUEM for que não haja examinado cuidadosamente este tema com uma concordância e a Bíblia na mão, ao fazê-lo se surpreenderá de encontrar sua proeminência nas Escrituras. O Antigo Testamento abunda em promessas e profecias nas quais o Reino de Deus, e seu Rei, o Messias, figuram como centro.

    A esperança do todo israelita (Lucas 3:15) era de que como povo, Deus exaltaria a sua nação debaixo do Messias, e quando o Senhor veio a eles, esperavam que fosse em sua qualidade de Rei, para estabelecer o prometido Reino de Deus sobre a terra.

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João, o Batista, o Precursor de Jesus

     João, o precursor e mensageiro do nosso Senhor, começou seu ministério com o anuncio: “Arrependei-vos, porque é chegado, o reino dos céus.” (Mateus 3:2, IBB) O Senhor começou seu ministério exatamente com o mesmo anuncio (Mateus 4:17, IBB), e os apóstolos foram enviados a pregar a mesma mensagem. (Mateus 10:7, IBB; Lucas 9:2)

     Não somente foi o reino o tema com o qual o Senhor começou o seu ministério, mas também na realidade foi o ponto principal de toda sua pregação (Lucas 8:1; 4:43; 19:11), mencionando outros temas somente em conexão, ou explicando este mesmo assunto.

     A maioria de suas parábolas, ou bem ilustravam o reino desde diferentes pontos de vista, e em seus diferentes aspectos, ou serviram para assinalar a consagração completa a Deus como essencial para tomar parte do reino, e para corrigir um erro da parte dos judeus, os que se julgavam seguros de obter o reino por serem filhos naturais de Abraão, e por conseguinte, os herdeiros naturais das promessas.

Porque não estabeleceu o seu reino no seu primeiro advento?

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Jesus curando, um antegozo do seu reino na terra

 

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Andando para Emáus

     Nosso Senhor em suas práticas com seus discípulos fortaleceu e alentou as esperanças deles em um reino vindouro, dizendo-lhes:

“e assim como meu Pai me conferiu o domínio eu vo-lo confiro a vós, para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos senteis sobre tronos, julgando [governando] as doze tribos de Israel”. (Lucas 22:29, 30, IBB)

Também lhes disse: “Não temas, ó pequeno rebanho! porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.” (Lucas 12:32, IBB; AL)

     E quando em vez de ser coroado e entronizado, Aquele que eles reconheciam como rei, pelo contrário, foi crucificado, os discípulos sofreram uma amarga decepção. Dois deles depois da ressurreição do Senhor, se expressaram de tal maneira ao suposto forasteiro no caminho de Emáus; segundo suas palavras, eles haviam esperado “que fosse ele quem havia de redimir Israel” — libertando-o do jugo romano, e fazendo de Israel o Reino de Deus com poder e grande glória.

     Mas suas esperanças haviam sido frustradas pelas alterações ocorridas poucos dias antes. Então Jesus lhes abriu el entendimento, provando-lhes com as Escrituras que seu sacrifício era necessário antes de que o Reino pudesse ser estabelecido. — Lucas 24:21, 25-27.

Porquê a redenção do homem precede as bênçãos do reino.

     Deus poderia dar a Jesus o domínio da terra sem ter redimido o homem, porque “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer”. (Daniel 4:32, SBB, IBB) Mas Deus tinha um desígnio superior do que podia ter-se realizado por meio de tal plano.

     Um reino em tais condições poderia trazer bênçãos que, apesar de boas, somente teriam sido de um caráter temporário, porque a humanidade estava condenada a morte. Para fazer permanentes as bênçãos de seu reino, a raça primeiro teria que ser resgatada da morte e assim ser libertada da condenação que sobre todos caiu por causa de Adão.

     É evidente que ao explicar as profecias a seus discípulos, Jesus reviveu neles a esperança de um reino vindouro; ao deixá-los, perguntavam-lhe, dizendo:

“Senhor, é neste tempo que restauras o reino a Israel?”

     Sua resposta, ainda quando não muito explícita, não contradizia as suas esperanças. Respondeu-lhes:

“A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade.” — Atos 1:6, 7, IBB.

Há de ser o reino terrestre ou celestial?

 

 

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     Certo é que no princípio os discípulos, o mesmo que a inteira nação judaica, abrigavam uma concepção imperfeita do Reino de Deus ao supor que era exclusivamente um reino terrestre, da maneira como agora muitos erram em sentido oposto ao supor que o reino é um exclusivamente celestial.

     Muitas das parábolas e enigmas do nosso Senhor foram ditos, com a intenção de corrigir no seu devido tempo estas falsas idéias. Entretanto, Jesus sempre apresentou a idéia de um reino, um governo que se estabeleceria na terra para reinar entre os homens; não somente inspirou neles a esperança de que participariam do reino, mas também lhes ensinou a orar por seu estabelecimento:

“venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim NA TERRA como no céu”.

Esperando por o Reino de Deus parecia absurdo para os sábios com sabedoria mundana.

 

 

 

 

 


Jesus ensinou que o seu reino não era deste mundo e não estabeleceria-se até depois do seu sofrimento e morte. Mas zelotes judeus rebelaram contra Roma, esforçando-se a estabelecer seu reino pre- maturamente.

     Para aqueles dentre os judeus que eram sábios com sabedoria mundana, Jesus parecia como fanático e impostor, e consideravam a seus discípulos como vítimas de uma alucinação. Não podia negar seu tacto, sua sabedoria nem seus milagres, nem eram competentes para darem uma explicação razoável da causa destes; no entanto, desde seu ponto de vista de incredulidade, as pretensões de ser Ele o herdeiro do mundo, quem estabeleceria o reino prometido que haveria de governá-lo, e que seus discípulos, todos eles dentre as classes mais humildes do povo, estariam associados em seu governo, pareciam demasiado absurdos para dar-lhes importância.

     Roma, com seus guerreiros disciplinados, seus generais adestrados e sua imensa riqueza, era a senhora do mundo e diariamente seu poder se aumentava. Quem era pois este nazareno? quem eram estes pescadores sem dinheiro nem influência, e só com um escasso séquito entre o povo? Que valiam estes para que falassem de estabelecer o reino por tão longo tempo prometido, o mais grandioso e cheio de poder que se conhecera na terra?

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A Masada

    O último posto avançado da rebelião judaica no ano 73 E. C. é a locação onde 960 zelotes judaicos escolheram a suicidar-se antes que submeter-se a uma vida de escravidão aos romanos.


“O Reino de Deus não vem com aparência exterior” — seria em todas partes presente e poderoso. O reino espiritual está sendo instituído primeiro e durante algum tempo não estará reconhecido.

     Os fariseus, querendo pôr de manifesto a suposta debilidade das pretensões do nosso Senhor, com o objetivo de desenganar a seus discípulos lhes perguntaram: Quando começará a estabelecer-se o reino de que tu falas? quando chegarão teus soldados? quando aparecerá o reino de Deus? (Lucas 17:20-30)

     Se não houvessem estado tão predispostos em contrário seu, nem tão cegados pela sabedoria de que eles faziam alarde, a contestação do nosso Senhor lhes haveria dado uma nova idéia do assunto. Ele lhes fez presente que seu reino nunca apareceria de maneira que eles esperavam.

     O reino que Ele predicava, e ao qual convidava a seus discípulos para serem co-herdeiros, era um invisível e não deviam abrigar a esperança de vê-lo. Respondeu-lhes:

“O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou Ei-lo ali! pois o reino de Deus está [estará] dentro de vós.”*

    Indicou simplesmente que quando vier o seu reino, estaria presente e seria poderoso em todas partes, mas que não seria visível em parte alguma.

*Na Versão Moderna se lê “dentro de vós”, a qual é incorreta; mas, existe uma nota marginal que diz: “no meio de vós”.

A Versão Comum traduz esta parte “entre vós”. As duas últimas expressões são sinônimas. O insistir que o reino que Jesus pretendia estava pronto a estabelecer-se achava-se dentro dos corações dos fariseus aos quais Ele qualificou de sepulcros caiados e de hipócritas, seguramente que não está de acordo com teoria alguma.

Este reino, quando será estabelecido, estará “no meio de” ou “entre” todas as classes, governando e julgando a todos.


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     Assim, Ele lhes deu uma idéia do reino espiritual que predicava, mas não estavam preparados, e portanto não o receberam. Havia algo de veracidade nas esperanças dos judeus concernentes ao reino prometido, parte que como veremos, se realizará quando chegar o tempo para isto; entretanto, aqui o Senhor tão-somente se referia à fase espiritual do reino, a qual será invisível. E como esta fase do reino será a primeira em estabelecer-se, sua presença não será discernível, e por algum tempo passará desapercebida. 

     O privilégio de serem herdeiros nesta fase espiritual do Reino de Deus foi a única oferta que então se fez, e durante a Idade Evangélica que nesse tempo começou, tem sido uma só esperança da nossa vocação. Por isso Jesus se referia exclusivamente a tal fase. (Lucas 16:16) Este ponto nos será mais fácil de entender à medida que avancemos em nosso estudo.

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“Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. 

“Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe:

“‘Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.’”  João 3:1, 2

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Jesus sarando

     Provavelmente este sentimento público adverso, especialmente da parte dos fariseus, motivou o que Nicodemos foi ter com Jesus, de noite, com desejo de decifrar o mistério, mas, aparentemente envergonhado de reconhecer em público que tais pretensões teriam algum valor para ele.

     A conversação entre o Senhor e Nicodemos (João 3, IBB), ainda quando só em parte é registrada, dá algo mais de luz sobre o caráter do Reino de Deus. Evidentemente estão mencionados somente os principais pontos da conversação, com o fim de que demos conta dela em sua totalidade; podemos parafrasear como segue:

Nicodemos

“Rabi, sabemos que és mestre vindo de Deus, pois ninguém pode fazer estes sinais (milagres que tu fazes), se Deus não estiver com ele.” Contudo, algumas de tuas palavras me parecem muito inconsistentes, e venho pedir uma explicação.

Por exemplo, tu e teus discípulos hão proclamado: “é chegado o reino dos céus”, mas tu não tens um exército, nem riquezas, nem influência, e segundo todas as aparências, essa é uma falsa pretensão, a qual dá lugar a crer que enganas o povo.

Os fariseus em geral te consideram como impostor, mas eu estou seguro de que deve haver algo de verdade em teus ensinos, “pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele”.

O objetivo de minha visita é o de perguntar-te: de que classe é, e de onde vem este reino que tú proclamas? quando e de que maneira será estabelecido?

“Gerado” e “Nascido” do Espírito

Jesus

Teu desejo de adquirir uma completa informação tocante ao reino dos céus não pode ser te satisfeito até o grau de que consegues dar-te conta cabal dele, não que eu não esteja plenamente certo de todos seus detalhes, senão porque em tua condição presente, ainda quando te o expuser em sua totalidade, não poderias entender ou apreciá-lo. “A menos que o homem não seja gerado* do alto, não pode ver [grego — eidom** — conhecer ou familiarizar-se com] o reino de Deus.”

*A palavra grega gennao (e seus derivados) que algumas vezes é traduzida gerado e outras nascido, realmente contém ambas idéias, e deveria ser traduzida por qualquer destas duas palavras portuguesas segundo o sentido da passagem em que ocorre. As duas idéias, gerar e nascer, sempre se encontram na palavra, de maneira que se usa-se uma, sempre se implica a outra, posto que o nascimento é a conseqüência natural do engendramento, e o engendramento é o antecedente natural do nascimento. Quando o agente ativo com o qual se associa gennao é masculino, deve traduzir-se gerado; quando é feminino, nascido. Exemplos: 1 João 2:29; 3:9; 4:7; 5:1, 18. Nestas passagens gennao deveria traduzir-se gerado, posto que Deus (masculino) é o agente ativo.

Entretanto, algumas vezes a tradução depende da natureza do ato, ou seja masculino ou feminino. Isto se ilustra nos casos em que se usa em conjunção com ek, que significa de; neste caso deveria traduzir-se nascido. Em João 3:5, 6, gennao deveria traduzir-se nascido, porque ocorre a palavra ek“da água”, “da carne”. “do espírito”.

 

**Esta mesma palalvra grega está traduzida considerar em Atos 15:6, AL; IBB, “Congregaram-se pois os apóstolos e os anciãos para considerar [examinar, SBB] este assunto”. A mesma palavra está traduzida considerai em Romanos 11:22, SBB, (considera, AL; IBB): “Considera [conheça, entenda] pois a bondade e a severidade de Deus”; também em 1 João 3:1 — “Vede [considere; saibas, entenda] que grande amor nos tem concedido o Pai”.

Ainda os meus discípulos apenas têm até agora vagas idéias do caráter do reino que estão proclamando. Não posso explicar a ti, e pelo mesmo motivo eles não podem entendê-lo.

Todavia, Nicodemos, uma peculiaridade do proceder de Deus é a de que antes de dar mais luz, demanda obediência de acordo com a luz já possuída, e na seleção daqueles que hão de ser considerados dignos de participar do reino, é requerida da parte destes uma manifestação de fé.

Os tais devem sentir-se dispostos a ser passo a passo guiados por Deus, ainda quando freqüentemente não podem discernir com claridade, senão apenas um passo em frente deles. Os tais andam por fé e não por vista.

Nicodemos

Não te entendo. O que queres dizer? “Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?”

Acaso queres dizer que o arrependimento predicado por João, o Batista, expressado pelo batismo na água, é um nascimento simbólico?

Vejo que os seus discípulos predicam e batizam similarmente. É este o novo nascimento necessário para aqueles que desejariam ver ou entrar no teu reino?

Jesus

Nossa nação é uma nação consagrada, tem um pacto. Quando saíram do Egito, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés. Deus os aceitou em Moisés, o mediador desse pacto no Sinai; mas eles se hão olvidado do seu pacto, alguns estão levando uma vida de publicanos e pecadores, e muitos outros são hipócritas que a si mesmos se consideram justos, por isso a pregação de João e de meus discípulos é o arrependimento — volver-se a Deus e reconhecer o pacto feito; o batismo de João significa este arrependimento e reforma de coração e da vida, mas não é o novo nascimento.

A menos que tenham mais que isto, não poderás ver o Reino. Verás meu Reino se além da reforma simbolizada pelo batismo de João, recebes o engendramento e nascimento do espírito.

O arrependimento te porá de novo numa condição justificada, nessa condição, facilmente me reconhecerás como o Messias, tipificado por Moisés e se a mim te consagras, serás gerado pelo Pai a uma nova vida, para a natureza divina, a qual sendo desenvolvida e vivificada, dará por resultado que, na primeira ressurreição, naças como uma nova criatura, um ser espiritual; como tal, não somente hás de ver, senão que também tomarás parte no Reino.

A mudança que efetuará este novo nascimento do espírito é verdadeiramente grande, Nicodemos, o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

Não te surpreendas pois que primeiro eu te disse como tens que ser gerado do alto antes de que possas entender, saber e apreciar as coisas espirituais das quais tu inqueres. “Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.”

Muito marcada é a diferença entre a tua condição presente, nascido da carne, e a condição desses nascidos do Espírito, que entrarão ou constituirão o Reino que predico. Para que possas ter uma idéia dos seres que constituirão este reino quando hajam nascido do Espírito, te darei uma ilustração:

“O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.”

Serão como o vento que sopra aqui e ali e tú não podes vê-lo, ainda quando se exerce uma influência em teu redor. Esta é a melhor ilustração que posso dar-te acerca dos que nascerão do Espírito na ressurreição, aqueles que “entrarão” ou constituirão o Reino o qual eu predico agora.

Serão invisíveis como o vento, e os não nascidos do Espírito, serão incompetentes para dar-se conta donde vêm e para onde vão.

Como pode um homem nascer, sendo velho?

Arrependimento não é o novo nascimento.

Engendramento espiritual precede o nascimento espiritual.

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Eliseu e o seu Servo

Nicodemos

Como pode ser isso? — seres invisíveis!

Jesus

“Tú és mestre em Israel, e não entendes estas coisas?” Não sabes que os seres espirituais podem estar presentes e ainda invisíveis? Tú que procuras ensinar a outros, nunca hás lido acerca de Eliseu e seu servo, ou sobre a asna de Balaão? e muitos outros incidentes em que as Escrituras ilustram o princípio, de que os seres espirituais podem estar presente sobre os homens, e no entanto invisíveis?

Além disso, tu és dos fariseus, os que professam crer em anjos como seres espirituais. Entretanto, isto corrobora o que te disse no princípio: A menos que o homem seja gerado do alto, não pode ver [conhecer, familiarizar-se com, entender de uma maneira razoável] o Reino de Deus nem as várias coisas com ele relacionadas.

“O ventro sopra onde quer, e ouvas a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.”  João 3:8

 

O que é engendramento do espírito?

 

 

 

 

 

 

 


*As palavras “que está no céu” que aparecem em algumas versões (vrso 13) não se encontram nos manuscritos mais antigos e fidedignos.

 

Se queres entrar e ser co-herdeiro comigo nesse reino que te anuncio, passo a passo deves seguir a luz. Ao fazê-lo assim, mais luz te será dada tão pronto como te encontras preparado para recebê-la. Estou te predicando as coisas que podes entender e que são para serem entendidas agora, estou levando a efeito milagres, me reconheces como um Mestre, vindo de Deus, mas não tens feito conforme esta fé, não tens tornado-se publicamente meu seguidor e discípulo.

Não deves esperar ver mais até que faças segundo o que tens visto; então Deus te dará luz e maiores demonstrações de seu favor para que possas dar o seguinte passo.

“Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que temos visto e [vos fariseus] não aceitais o nosso testemunho! Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais?”

Me seria inútil tentar falar-te das coisas celestiais, pois não te convencem, e a minha narração te pareceria cada vez mais tola.

Se isto que tenho ensinado, que é  de um caráter terrestre, e que tenho ilustrado com coisas terrestres, as que estão a teu alcance e podes entender, não hão podido convencer-te até o grau de que abertamente venhas a ser meu discípulo e seguidor, não te seriam mais convincentes coisas celestiais em caso de que te falasse delas, porque não as conheces, e como nenhum homem subiu ao céu, ninguém poderia corroborar meu testemunho. Eu, somente, eu que tenho descido do céu, posso entender as coisas celestiais.

“Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem.” *Somente depois de ser gerado do Espírito é quando se pode ter um conhecimento das coisas celestiais, e estas apenas podem ser gozadas pelos seres nascidos do Espírito, como seres espirituais.

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Jesus ensinou acerca dum reino terrestre.

     Vemos que ao explicar a natureza do reino aos que por suas predisposições e educação, não podiam ter mais que opiniões errôneas acerca da fase terrestre dele, requeria paciência da parte do Senhor. Entretanto, a eleição da classe do povo apropriado, para participar no reino do Messias prosseguia, ainda quando somente uns poucos foram os escolhidos de Israel, a quem exclusivamente se lhes ofereceu por sete anos.

     Como Deus havia previsto, por causa de sua falta de preparação para ele, e faltando de compreender e cumprir as condições requeridas, como nação, foi tirado deles o privilégio de participar no reino do Messias, havendo-o aproveitado somente um número reduzido; logo foi apresentado aos gentios, para tomar dentre eles também “um povo para o seu Nome”. Dentre estes, igualmente, só um número reduzido, “um pequeno rebanho”, apreciam tal privilégio, e são contados dignos de ser co-herdeiros de seu reino e de sua glória.

O Reino de Deus ainda não tem reinado na terra.

 

     Muito sério tem sido o erro introduzido na Igreja cristã nominal, a que, segundo o seu modo de entender, se refere simplesmente à Igreja nominal em sua condição presente, e que sua obra é apenas uma obra de graça nos corações dos crentes; este erro se tem feito chegar a tal extremo, que a presente e iligítima aliança da Igreja nominal com o mundo é considerada por muitos como o Reino de Deus na terra.

     É certo que num sentido, a Igreja é agora o Reino de Deus, e que se está levando a efeito uma obra de graça nos corações dos crentes; mas crer que isto é tudo, e negar que um verdadeiro e futuro Reino de Deus ainda está para estabelecer-se debaixo de todo o céu, no qual se fará a vontade de Deus assim como é feito no céu, é nulificar e invalidar as mais diretas e marcadas promessas que para nosso consolo e nossa ajuda em vencer o mundo, nos foram dadas, a saber, por meio do Senhor, dos apóstolos e dos profetas.

Fidelidade Cristã.

 

 

 

 


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O Reino terrestre de Cristo alcançará à terra inteira.

     Nas parábolas do Senhor, a Igreja freqüentemente é denominada como o reino, e o Apóstolo quando disse que Deus nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado, falava acerca dela como o reino sobre o qual Cristo agora reina. Nós, os que agora aceitamos a Cristo, reconhecemos que ele tem comprado o direito do domínio, e transbordamos de regozijo e voluntariamente lhe tributamos homenagem e obediência antes de que a força o estabeleça no mundo.

     Reconhecemos a diferença que existe entre as leis justas que Ele implantará, e as deste reino tenebroso que tem estabelecido o usurpador, agora príncipe deste mundo. A fé nas promessas de Deus transfere nossa submissão e lealdade; nos reconhecemos como súditos do novo Príncipe, e, por meio de sua graça e de seu favor, co-herdeiros com Ele nesse reino ainda por estabelecer-se com poder e grande glória.

     Mas isto de nenhuma maneira anula as promessas de que finalmente o reino de Cristo será um “de mar a mar, e desde o rio até as extremidades da terra” (Salmo 72:8, AL; IBB); que todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão, e que diante dele se dobrará todo joelho dos que estão nos céus, e na terra. (Daniel 7:27; Filipenses 2:10) Antes, ao contrário, a presente seleção do “pequeno rebanho” confirma essas promessas.

Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra longínqua, a fim de tomar posse de um reino e depois voltar.”  Lucas 19:12

 

     Ao examinar cuidadosamente as parábolas do Senhor, se verá que claramente ensinam como um acontecimento futuro a vinda ou estabelecimento do Reino de Deus com poder, e por suposto, não tomando lugar senão até depois da chegada do Rei.

     Isso podemos ver na parábola de certo homem nobre que partiu para uma terra longínqua a fim de tomar posse de um reino e depois voltar, etc. (Lucas 19:11-15, IBB), a qual claramente localiza o estabelecimento do Reino na Segunda vinda de Cristo. E muitos anos depois, a mensagem enviada pelo Senhor à Igreja foi:

“Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Apocalipse 2:10)

     Disto, logicamente se infere que os reis que hão de estar associados com Ele quando se estabelecer o reino, não serão coroados nem reinarão nesta vida.

O Reino de Deus ainda não está estabelecido em glória e poder.

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     Por tanto, a Igreja no tempo presente não é o Reino de Deus estabelecido em poder e grande glória, mas somente o é em seu estado incipiente e embrionário. Tal coisa indicam todos os textos do Novo Testamento que se referem a este ensino. Até agora, o reino dos céus é tomado a força da parte do mundo; ao Rei maltrataram-no e crucificaram-no, todos os que nas suas pisadas de uma maneira ou de outra, padecerão perseguições e violência.

     Se observará que isto é certo apenas da Igreja verdadeira, mas não da nominal. Não obstante, é nos feita a promessa de que se nós (a Igreja, o reino em embrião) sofrermos com Cristo, quando no tempo oportuno Ele tomar para si o seu grande poder, e começar a reinar, seremos glorificados e com Ele também reinaremos.

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Parábola do Publicano e do Pecador

 

 

 

 

 

E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.” 
Mateo 19:24

     Tiago (2:5), em harmonia com o ensino do nosso Senhor, nos disse que Deus tem escolhido os que são pobres e desprezados segundo o modo de julgar do mundo, não para que agora reinem, mas como “herdeiros do reino que prometeu”. O Senhor disse:

“Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” (Marcos 10:23)

     É evidente que Ele não deu a entender como o reino para a Igreja nominal, a qual agora está reinando com o mundo, porque os ricos são forçados a entrar nela. Aos herdeiros do reino, Pedro exorta à paciência, à perseverança, à virtude e à fé dizendo-lhes:

“Portanto, irmãos, procurai mais diligentemente fazer firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” — 2 Pedro 1:10, 11, IBB.

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Porta do Fundo da Agulha —
Os homens podiam passar facilmente pela Porta; mas animais grandes, tais como camelos, tinham que descarregar-se e ficar de joelhos para passar.

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Porta de Jope –
Colocada ao lado oeste de Jerusalém, a Porta de Jope tem um “fundo (orifício) da agulha,” uma abertura pequena usada como entrada de seguridade na noite, quando a Porta grande estava seguramente cerrada.

Liberdade Cristã

     Alguns crêem que o dito por Paulo em Romanos 14:17 se refere a um reino figurativo, mas quando se examina junto com o contexto, se põe de manifesto que essa passagem simplesmente significa o seguinte: Irmãos, nós, os que temos sido transportados para o reino do Filho amado de Deus, temos certos direitos quanto ao alimento e outras coisas, liberdades que não gozávamos como judeus sob a lei (verso 14); no entanto, melhor não aproveitarmos estas liberdades se são motivos de tropeço ou entristecem a consciência dos irmãos que ainda não se hão dado conta dessas liberdades.

     Ao fazer uso de nossas liberdades, não demos margem para causar dano a nosso irmão por quem Cristo morreu, mas recordemos que os privilégios do reino, tanto agora como no futuro, consistem de maiores bênçãos do que a liberdade quanto ao alimento; tais bênçãos são nossa liberdade relativamente ao fazer o bem, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, e nosso gozo de participar do Espírito Santo de Deus. Estas liberdades do reino (agora e sempre) são tão grandes que as menores liberdades referentes ao alimento, podem muito bem ser sacrificadas, quando for necessário, em benefício do irmão.

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Cristãos têm que ser vencedores para sentar-se com Jesus no trono do Seu Pai e reinar sobre as nações na terra.

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O vencer requer a morte no serviço do Senhor.

     De maneira que não importa sob que ponto de vista bíblico miramos o assunto, encontramos as Escrituras contradizendo a idéia de que as promessas do reino são apenas enganosas e míticas, ou que as da condição presente é o cumprimento destas promessas.

     Para a Igreja primitiva, as promessas de honra, e de ser co-herdeiros com Cristo, serviram de estímulo para que permanecessem fiéis sob as angústias e perseguições que de antemão se lhes havia dito que as encontrariam; entre as palavras animadoras e cheias de consolo que se encontram no Apocalipse como dirigidas às sete igrejas, as seguintes sobressaem em esplendor e doçura:

“Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.” “Ao que vencer, eu lhe darei autoridade sobre as nações”.

     Estas promessas não podem entender-se como referindo-se a uma obra de graça que agora se está efetuando no coração; tampouco a um reino sobre as nações na vida presente; porque os que serão vencedores terão que sê-lo morrendo no serviço, para ganhar assim as honras do reino. — Apocalipse 20:6.

Já estais fartos! já estais ricos! sem nós já chegastes a reinar! e oxalá reinásseis de fato, para que também nós reinássemos convosco! 
1 Coríntios 4:8

 

 

 

 

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Paulo predigou que a suferinza presente seria seguido pelo reinar futuro.

     Quão certo é que a natureza humana procura evitar o sofrimento e sempre está disposta para apoderar-se da honra e poder; por isto encontramos que ainda no tempo dos apóstolos, alguns membros da Igreja estiveram prontos para apropriar-se, para a vida presente, as promessas de honra e poder futuros, e começaram a proceder como se já houvesse chegado o tempo para que o mundo honrasse e obedecesse a Igreja.

     O apóstolo Paulo escreve corrigindo este erro, sabendo que tais idéias teriam um efeito prejudicial sobre a Igreja, cultivando o orgulho e apartando-a do caminho do sacrifício. Disse-lhes ironicamente: “Já estais fartos! já estais ricos; sem nós já chegastes a reinar”! E logo com ardor acrescenta: “e oxalá reinásseis de fato, para que também nós (os perseguidos apóstolos) reinássemos convosco”! (1 Coríntios 4:8, IBB)

     Estavam gozando do privilégio de ser cristãos tratando de sacar do cristianismo, e com o cristianismo, toda a honra possível; o Apóstolo muito bem sabia que se eles continuassem fiéis como seguidores do Senhor, não se encontrariam em tal condição. Portanto, ele lhes recordou que se na verdade houvesse chegado o reino por tão longo tempo esperado, então ele se encontraria reinando tanto com eles, e que o fato de que ele, por causa de sua fidelidade estava sofrendo pela verdade, provava que o reinado deles era prematuro, e um laço, em vez der ser algo de que gloriar-se. Logo, com um toque irônico agrega:

“Nós (apóstolos e fiéis seguidores) somos loucos por amor (causa) de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes, vós ilustres, e nós desprezíveis.”

     Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, tendo um objetivo maior e mais nobre — PARA VOS ADMOESTAR; o caminho de honras agora não conduz à glória nem à imortalidade que há de ser revelada; somente o sofrimento e a abnegação de si mesmo, constituem o caminho apertado à glória, e à honra, e à imortalidade e o privilégio de ser co-herdeiros com Cristo no reino.

    Exorto vos, portanto, a que vos torneis meus imitadores. Sofrei, sede injuriados e perseguidos agora para que comigo possais participar da coroa da vida, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. — 1 Coríntios 4:10-17; 2 Timóteo 4:8, IBB; AL.

A igreja verdadeira ainda não tem reinado sobre a terra.

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O Papa coroando a Charlemagne

     Mas, depois que a Igreja primitiva havia sofrido fielmente muitíssimas perseguições, as teorias de que a missão da Igreja era a de conquistar o mundo, estabelecer o reino dos Céus sobre a Terra, e reinar sobre todas as nações antes da segunda vinda do Senhor, principiaram a propagar-se.

     Isto serviu de fundação para a intriga mundana, a pompa, e o orgulho, a ostentação e as cerimônias da Igreja, com a intenção de impressionar, de cativar, e inspirar temor ao mundo, passo a passo conduzindo-a para proferir as grandes pretensões do Papado, ao efeito de que sendo o reino de Deus sobre a terra, teria o direito de exigir o respeito e a obediência a suas leis e a seus agentes, em todas as nações, tribos e povos.

     Sob este falso reclame (e aparentemente lograram enganar-se a si mesmos o mesmo que aos demais), o Papado por algum tempo coroava e descoroava os reis por toda a Europa, e ainda hoje em dia pretende ter essa autoridade, apesar de achar-se agora incapacitado para pô-lo em prática.

 

 

 

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     O Protestantismo tem tomado a mesma idéia do Papado, pois também pretende, ainda quando de uma maneira mais vaga, para que de algum modo o reinado da Igreja vá em progresso e o mesmo que os coríntios, seus aderentes já estão fartos! já estão ricos! e já chegaram a reinar! como tão graficamente os descreve o nosso Senhor. (Apocalipse 3:17, 18)

     Tal coisa tem acontecido até o extremo de que os membros nominais da Igreja — os não realmente convertidos, que não são trigo na reealidade, senão joio, a imitação do trigo — excedem em grande maioria o número dos verdadeiros discípulos de Cristo. Os tais, decididamente se opõem à abnegação e ao sacrifício verdadeiros, e não querem sofrer perseguições por amor da justiça [pela verdade]; ao mais, por pura fórmula, praticam certas classes de jejum, e coisas por estilo.

    Na realidade, estão reinando com o mundo, e não estão preparando-se para participar no reino verdadeiro, o qual será estabelecido pelo nosso Senhor em sua segunda presença.

Não pode haver nenhum reino sem rei.

     Qualquer observador cuidadoso se dará conta da manifesta incongruência entre esta opinião e os ensinos de Jesus e dos apóstolos. Eles ensinaram que não pode haver reino antes que venha o Rei. (Apocalipse 20:6; 3:21; 2 Timóteo 2:12) Conseqüentemente, o reino dos céus deve sofrer violência até esse tempo, em que será estabelecido com poder e grande glória.

Ao que vencer, eu lhe concerderei que se sente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. — Apocalipse 3:21

Duas Fases do Reino de Deus

     Ainda quando é certo como disse nosso Senhor, que o Reino de Deus não vem — não faz sua primeira aparição — com aparência exterior, entretanto, no tempo oportuno, por meio de sinais externos, visíveis e inequívocos, será manifestado a todos. Quando se estabelecer por completo, consistirá de duas partes, a fase espiritual ou celestial e a humana ou terrestre.

     A fase espiritual sempre será invisível aos homens, porquanto os que a hão de formar serão da natureza divina, espiritual, a qual nenhum dos homens tem visto, nem pode ver (1 Timóteo 6:16, IBB, João 1:18) mas, seu poder e sua presença serão grandiosamente manifestados principalmente por meio de seus representantes humanos, os que constituirão a fase terrestre do Reino de Deus.

 

 

 

 

 

 

     Os santos vencedores da Idade Evangélica — o Cristo, Cabeça e corpo — serão os que hão de compor a fase espiritual do reino, ao serem glorificados. Sua ressurreição e exaltação ao poder precederá a de todos os demais, porque por meio desta classe todos os outros serão abençoados. (Hebreus 11:39, 40) A deles é a primeira ressurreição. (Apocalipse 20:5)*

     A grandiosa tarefa que emprenderá esta gloriosa companhia ungida — o Cristo — requere a sua exaltação à natureza divina; unicamente o poder divino poderá levá-la a cabo; sua obra será não somente relacionada com este mundo, mas tam bém com todas as coisas no céu e na terra, tanto entre os seres espirituais como entre os humanos. — Mateus 28:18; Colossenses 1:20; Efésios 1:10; Filipenses 2:10; 1 Coríntios 6:3.


*Neste versículo (SBB) as palavras

“os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos”,

são espúrias. Não se encontram nos manuscritos gregos mais antigos e de maior crédito, tais como o Sinaítico e o Vaticano Nos. 1209 e 1160; tampouco se encontram no manuscrito Siríaco.

Devemos recordar que muitas passagens que se encontram nas cópias modernas são intercalações que não pertencem propriamente à Bíblia.

Visto que é ordenado que não acrescentemos à Palavra de Deus, por isso é nosso dever de repudiar tais intercalações tão logo como se comprova o seu caráter falso.

As palavras indicadas provavelmente foram introduzidas no texto acidentalmente, no século quinto, por que nenhum manuscrito de data anterior (seja grego ou seríaco) contém esta cláusula.

Provavelmente no princípio foram apenas um comentário marginal escrito por algum leitor, tratando de dar sua opinião acerca do texto, e logo foi acrescentado ao texto por algum transcritor subseqüente que não soube distinguir entre o texto e o comentário.

Entretanto, o repúdio desta cláusula não é essencial ao “Plano” que aqui se apresenta, porque o resto dos mortos — o mundo em geral — em sentido pleno da palavra, no sentido em que Adão viveu antes de pecar e cair sob a sentença “morrendo morrerás” não viverá outra vez senão até o final dos mil anos.

A vida perfeita, sem debilidades nem agonia, é o único sentido em que Deus reconhece a palavra vida. Desde seu ponto de vista, o mundo inteiro já tem perdido a vida, e podia mais apropriadamente considerar-se como morto do que como vivo — 2 Coríntios 5:14; Mateus 8:22.

A palavra ressurreição (do grego anastasis) significa levantamento. Em referência ao homem, significa levantá-lo à condição da qual caiu, para a plena perfeição da virilidade que perdeu por causa de Adão.

A perfeição da qual nossa raça caiu, será a perfeição até a qual gradualmente se levantará durante a Idade Milenária, o tempo da restituição ou ressurreição (levantamento).

A Idade Milenária não é apenas uma idade de prova, mas também de bênçãos, na qual, por meio da ressurreição ou restituição da vida, tudo o que foi perdido será restaurado aos que ao ter conhecimento e apresentar-se lhes a oportunidade gostosamente obedecem.

O processo da ressurreição será gradual, e requererá toda essa idade para o seu pleno cumprimento; ainda quando o despertar para gozar de uma espécie de raciocínio e vida, como os presentes, será por suposto instantâneo. Por conseguinte, apenas será até que os mil anos hajam terminado quando a raça obterá a completa medida de vida que perdeu em Adão.

E desde que tudo que não é vida perfeita se considera como uma condição de morte parcial, deduzimos que apesar de não serem autênticas as palavaras em discussão, seria estritamente correto o dizer, que o resto dos mortos não viverão outra vez (não voltarão a obter a plenitude de vida que perderam) até que os mil anos de restituição e bênção se completem.


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O quê significa a Ressurreição?

 

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“Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão:

“Os que tiverem feito o bem, para a ressureição da vida, e os que tiverem praticado o mal,  para a ressurreição do juízo.  (grego ‘krisis’),” 
Jo
ão 5:28, 29

 

 

 

O trabalho do Reino de Jesus e a igreja.

 

Quens são os “antigos dignitários?


Abraão

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A esperança judaica –
Crendo que o Reino de Deus seria estabelecido em Jerusalém e todas as nações viria à “casa do Deus de Jacó,” túmulos judaicos densamente cobrem os declives do Monte de Olivas, dando evidência à fei judaica nas promessas de Deus dum reino e da ressurreição.

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A esperança maometana —
Quando vem o Messias, entrará a Jerusalém pela Porta Áurea; daqui a ressurreição e o julgamento começarão de este lugar.

Aqueles que não podem andar a línea da justiça cairão no Vale da Morte abaixo. Túmulos maometanos rodeam à Porta Áurea, esperando ao Messias.

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A esperança cristã —
Um cemetério cristão se encontra no Vale de Cedron entre o cemetério judaico (no Monte das Oliveiras no leste) e o cemetério maometano (no Monte de Moriá ao oeste).
  
Quando Cristo volve, julgará ao mundo em justiça.

    A tarefa da fase terrestre do Reino de Deus será limitada a este mundo e à humanidade. Os que hão de ser tão altamente honrados para tomar parte nela, serão os mais exaltados e glorificados por Deus entre os homens. Estes compõem a classe da qual se faz referência no Estudo VIII (Pag. 145), cujo dia do juízo foi antes da Idade Evangélica.

     Havendo sido provados e encontrados fiéis, ao serem despertados não serão de novo trazidos ao juízo, mas imediatamente receberão a recompensa de sua fidelidade — instantaneamente serão ressuscitados à perfeição humana (todos os demais fora destes e da classe espiritual, serão gradualmente levantados até a perfeição durante a Idade Milenária). De maneira que a dita classe estará pronta desde logo, para sua grande tarefa, como agentes humanos de Cristo na obra de restaurar e de abençoar o resto da humanidade.

     Assim como a natureza espiritual é necessaria para levar a conclusão a obra de Cristo, igualmente, a natureza humana perfeita é apropriada para a futura execução do trabalho que se fará com os homens. Estes ministrarão entre os homens e poderão ser vistos por eles, ao mesmo tempo que a glória de sua perfeição será um exemplo constante e um incentivo para que os demais procurem obter a mesma perfeição.

     O fato de que estes antigos dignitários se encontrarão na fase humana do reino, e que serão vistos pela humanidade, está testemunhado pelas palavras de Jesus dirigindo-se aos descrentes judeus que o rejeitavam; lhes disse: vereis

“no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó, e todos os profetas”.

     Não devemos passar sem advertência o fato de que o Mestre não fez menção, de que ele mesmo, ou os apóstolos seriam vistos juntamente com Abraão. Os homens poderão ver e misturar-se com a fase terrestre do reino, mas não com a espiritual, e é bem seguro, que muitos se sentirão bastante mortificados, por haver desprezado a honra tão grande.

Como operarão as duas fases do Reino?

 

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Moisés

     Não é nos subministrada informação explícita quanto à maneira exata em que operarão harmoniosamente estas duas fases do reino celestial; no entanto, com tratos de Deus com Israel, por meio de seus representantes, Moisés, Arão, Josué, os profetas, etc. — temos uma ilustração da maneira que possívelmente operarão, ainda quando as manifestações futuras do poder divino excederão em grandwe maneira as dessa idade típica, porque a obra da idade vindoura compreende o despertar de todos os mortos e a restauração dos obedientes à perfeição.

     Esta obra requererá o estabelecimento de um governo perfeito entre os homens, com homens perfeitos nos postos do poder, para que possam dirigir os negócios do Estado de uma maneira beneficiosa, e apropriada. Será necessário também de pôr em ação adequadas conveniências educacionais, o mesmo que várias medidas filantrópicas.

      E esta nobre tarefa de elevar a raça de tal maneira, a passos certos e firmes (sob a direção dos membros espirituais invisíveis do mesmo reino), é a alta honra designada para os antigos dignitários, e para o desempenho da qual, eles virão preparados tão logo que finalize a demolição, dos reinos do mundo, e Satanás, seu príncipe, haja sido amarrado. Então como representantes do reino celestial, divinamente enaltecidos e honrados, receberão a honra e a cooperação de todos os homens.

Quando a humanidade no fim dos mil anos permanece justa, o reino será devolvido a Deus.

     O conseguimento de um lugar no fase terrestre do reino de Deus, será colmar todos os desejos e aspirações legítimos do coração humano perfeito. Desde que se entre em possessão dela, será uma gloriosa e satisfatória porção, entretanto, a glória irá acumulando-se com o tempo e em proporção a que avança o progresso da bendita tarefa.

     E quando, no fim dos mil anos, o Cristo (ajudado em grande escala pela ação destes nobres colaboradores humanos) haja levado à conclusão a grandiosa obra da restituição; quando a raça humana inteira (excetuando os incorrigíveis — Mateus 25:46; Apocalipse 20:9) se encontre na presença de Jeová, aprovada, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, estes que serviram de instrumentalidade em levar à conclusão tal obra, resplandecerão “como as estrelas sempre e eternamente” (Daniel 12:3) entre os demais homens, diante de Deus, de Cristo e dos anjos. 

     Sua obra de amor jamais será esquecida pelos seus gratos companheiros. Ficarão em memória eterna. — Salmo 112:6,