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ESTUDO XIV
O REINO DE DEUS
—
A
proeminência do tema.
— O caráter do Reino.
— O Reino durante a
Idade Evangélica.
— Idéias falsas corrigidas por Paulo.
—
Resultado das falsas idéias acerca do Reino.
— Duas fases do Reino de
Deus.
— A fase espiritual e sua obra.
— A fase terrestre e sua obra.
— Harmonia de suas operações.
— A glória da fase terrestre.
— A
glória da fase celestial.
— O Pacto original do qual brotam estas ramificações.
— A fase terrestre do Reino será israelítica.
— As
tribos perdidas.
— A Jerusalém Celestial.
— Israel, um povo típico.
— A perda e recuperação de Israel.
— As classes escolhidas.
— Os
herdeiros do Reino.
— O Regime de ferro.
— Ilustração do objetivo
do Reino Milenário.
— Entregado o Reino ao Pai.
— O Plano original
de Deus concluído em sua totalidade.
[315]
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SEJA
QUEM for que não haja examinado cuidadosamente este tema com uma concordância
e a Bíblia na mão, ao fazê-lo se surpreenderá de encontrar sua proeminência
nas Escrituras. O Antigo Testamento abunda em promessas e profecias nas
quais o Reino de Deus, e seu Rei, o Messias, figuram como centro.
A
esperança do todo israelita (Lucas 3:15) era de que como povo, Deus
exaltaria a sua nação debaixo do Messias, e quando o Senhor veio a eles,
esperavam que fosse em sua qualidade de Rei, para estabelecer o prometido
Reino de Deus sobre a terra. |

João,
o Batista, o Precursor de Jesus
|
João,
o precursor e mensageiro do nosso Senhor, começou seu ministério com o
anuncio: “Arrependei-vos, porque é chegado, o reino dos céus.” (Mateus
3:2, IBB) O Senhor começou seu ministério exatamente com o mesmo anuncio
(Mateus 4:17, IBB), e os apóstolos foram enviados a pregar a mesma
mensagem. (Mateus 10:7, IBB; Lucas 9:2) Não
somente foi o reino o tema com o qual o Senhor começou o seu ministério,
mas também na realidade foi o ponto principal de toda sua pregação
(Lucas 8:1; 4:43; 19:11), mencionando outros temas somente em conexão, ou
explicando este mesmo assunto.
A
maioria de suas parábolas, ou bem ilustravam o reino desde diferentes
pontos de vista, e em seus diferentes aspectos, ou serviram para assinalar a
consagração completa a Deus como essencial para tomar parte do reino, e
para corrigir um erro da parte dos judeus, os que se julgavam seguros de
obter o reino por serem filhos naturais de Abraão, e por conseguinte, os
herdeiros naturais das promessas. |
| Porque não
estabeleceu o seu reino no seu primeiro advento? 
Jesus
curando, um antegozo do seu reino na terra

Andando
para Emáus
|
Nosso
Senhor em suas práticas com seus discípulos fortaleceu e alentou as
esperanças deles em um reino vindouro, dizendo-lhes:
“e
assim como meu Pai me conferiu o domínio eu vo-lo confiro a vós, para
que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos senteis sobre tronos,
julgando [governando] as doze tribos de Israel”. (Lucas 22:29, 30, IBB)
Também
lhes disse: “Não temas, ó pequeno rebanho! porque a vosso Pai agradou
dar-vos o reino.” (Lucas 12:32, IBB; AL)
E
quando em vez de ser coroado e entronizado, Aquele que eles reconheciam como
rei, pelo contrário, foi crucificado, os discípulos sofreram uma amarga
decepção. Dois deles depois da ressurreição do Senhor, se expressaram de
tal maneira ao suposto forasteiro no caminho de Emáus; segundo suas
palavras, eles haviam esperado “que fosse ele quem havia de redimir
Israel” — libertando-o do jugo romano, e fazendo de Israel o Reino de
Deus com poder e grande glória.
Mas
suas esperanças haviam sido frustradas pelas alterações ocorridas poucos
dias antes. Então Jesus lhes abriu el entendimento, provando-lhes com as
Escrituras que seu sacrifício era necessário antes de que o Reino
pudesse ser estabelecido. — Lucas 24:21, 25-27.
|
| Porquê a
redenção do homem precede as bênçãos do reino. |
Deus
poderia dar a Jesus o domínio da terra sem ter redimido o homem, porque
“o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer”.
(Daniel 4:32, SBB, IBB) Mas Deus tinha um desígnio superior do que podia
ter-se realizado por meio de tal plano.
Um
reino em tais condições poderia trazer bênçãos que, apesar de boas,
somente teriam sido de um caráter temporário, porque a humanidade estava
condenada a morte. Para fazer permanentes as bênçãos de seu reino, a raça
primeiro teria que ser resgatada da morte e assim ser libertada da condenação
que sobre todos caiu por causa de Adão.
|
|
É
evidente que ao explicar as profecias a seus discípulos, Jesus reviveu
neles a esperança de um reino vindouro; ao deixá-los, perguntavam-lhe,
dizendo:
“Senhor,
é neste tempo que restauras o reino a Israel?”
Sua
resposta, ainda quando não muito explícita, não contradizia as suas
esperanças. Respondeu-lhes:
“A
vós não vos compete saber os tempos ou as épocas,
que o Pai reservou à sua própria autoridade.” — Atos 1:6, 7, IBB.
|
Há de ser
o reino terrestre ou celestial?

|
Certo
é que no princípio os discípulos, o mesmo que a inteira nação judaica,
abrigavam uma concepção imperfeita do Reino de Deus ao supor que era
exclusivamente um reino terrestre, da maneira como agora muitos erram em
sentido oposto ao supor que o reino é um exclusivamente celestial.
Muitas
das parábolas e enigmas do nosso Senhor foram ditos, com a intenção de
corrigir no seu devido tempo estas falsas idéias. Entretanto, Jesus
sempre apresentou a idéia de um reino, um governo que se estabeleceria na
terra para reinar entre os homens; não somente inspirou neles a
esperança de que participariam do reino, mas também lhes ensinou a orar
por seu estabelecimento:
“venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim NA
TERRA como no céu”.
|
| Esperando
por o Reino de Deus parecia absurdo para os sábios com sabedoria mundana.
Jesus
ensinou que o seu reino não era deste mundo e não estabeleceria-se até
depois do seu sofrimento e morte. Mas zelotes judeus rebelaram contra Roma,
esforçando-se a estabelecer seu reino pre- maturamente.
|
Para
aqueles dentre os judeus que eram sábios com sabedoria mundana, Jesus
parecia como fanático e impostor, e consideravam a seus discípulos como
vítimas de uma alucinação. Não podia negar seu tacto, sua sabedoria
nem seus milagres, nem eram competentes para darem uma explicação razoável
da causa destes; no entanto, desde seu ponto de vista de incredulidade, as
pretensões de ser Ele o herdeiro do mundo, quem estabeleceria o reino
prometido que haveria de governá-lo, e que seus discípulos, todos eles
dentre as classes mais humildes do povo, estariam associados em seu
governo, pareciam demasiado absurdos para dar-lhes importância.
Roma,
com seus guerreiros disciplinados, seus generais adestrados e sua imensa
riqueza, era a senhora do mundo e diariamente seu poder se aumentava. Quem
era pois este nazareno? quem eram estes pescadores sem dinheiro nem influência,
e só com um escasso séquito entre o povo? Que valiam estes para que
falassem de estabelecer o reino por tão longo tempo prometido, o mais
grandioso e cheio de poder que se conhecera na terra?
|
A Masada
O último posto avançado
da rebelião judaica no ano 73 E. C. é a locação onde 960 zelotes
judaicos escolheram a suicidar-se antes que submeter-se a uma vida de
escravidão aos romanos. |
|
“O
Reino de Deus não vem com aparência exterior” — seria em todas
partes presente e poderoso. O reino espiritual está sendo instituído
primeiro e durante algum tempo não estará reconhecido. |
Os
fariseus, querendo pôr de manifesto a suposta debilidade das pretensões do
nosso Senhor, com o objetivo de desenganar a seus discípulos lhes
perguntaram: Quando começará a estabelecer-se o reino de que tu
falas? quando chegarão teus soldados? quando aparecerá o reino de Deus?
(Lucas 17:20-30)
Se não
houvessem estado tão predispostos em contrário seu, nem tão cegados
pela sabedoria de que eles faziam alarde, a contestação do nosso Senhor
lhes haveria dado uma nova idéia do assunto. Ele lhes fez presente que
seu reino nunca apareceria de maneira que eles esperavam.
O
reino que Ele predicava, e ao qual convidava a seus discípulos para serem
co-herdeiros, era um invisível e não deviam abrigar a esperança de vê-lo.
Respondeu-lhes:
“O
reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo
aqui! ou Ei-lo ali! pois o reino de Deus está [estará] dentro de vós.”*
Indicou
simplesmente que quando vier o seu reino, estaria presente e seria poderoso
em todas partes, mas que não seria visível em parte alguma. |
|
|
*Na
Versão Moderna se lê “dentro de vós”, a qual é incorreta;
mas, existe uma nota marginal que diz: “no meio de vós”. A
Versão Comum traduz esta parte “entre vós”. As duas últimas
expressões são sinônimas. O insistir que o reino que Jesus
pretendia estava pronto a estabelecer-se achava-se dentro dos corações
dos fariseus aos quais Ele qualificou de sepulcros caiados e de hipócritas,
seguramente que não está de acordo com teoria alguma.
Este
reino, quando será estabelecido, estará “no meio de” ou “entre”
todas as classes, governando e julgando a todos. |
|
 |
Assim,
Ele lhes deu uma idéia do reino espiritual que predicava, mas não estavam
preparados, e portanto não o receberam. Havia algo de veracidade nas
esperanças dos judeus concernentes ao reino prometido, parte que como
veremos, se realizará quando chegar o tempo para isto; entretanto, aqui o
Senhor tão-somente se referia à fase espiritual do reino, a qual será
invisível. E como esta fase do reino será a primeira em estabelecer-se,
sua presença não será discernível, e por algum tempo passará
desapercebida.
O
privilégio de serem herdeiros nesta fase espiritual do Reino de Deus foi
a única oferta que então se fez, e durante a Idade Evangélica que nesse
tempo começou, tem sido uma só esperança da nossa vocação. Por isso
Jesus se referia exclusivamente a tal fase. (Lucas 16:16) Este ponto nos
será mais fácil de entender à medida que avancemos em nosso estudo. |
“Ora,
havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais
dos judeus.
“Este
foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe:
“‘Rabi,
sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes
sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.’”
João 3:1, 2 |

Jesus sarando
|
Provavelmente
este sentimento público adverso, especialmente da parte dos fariseus,
motivou o que Nicodemos foi ter com Jesus, de noite, com desejo de
decifrar o mistério, mas, aparentemente envergonhado de reconhecer em público
que tais pretensões teriam algum valor para ele.
A
conversação entre o Senhor e Nicodemos (João 3, IBB), ainda quando só
em parte é registrada, dá algo mais de luz sobre o caráter do Reino de
Deus. Evidentemente estão mencionados somente os principais pontos da
conversação, com o fim de que demos conta dela em sua totalidade;
podemos parafrasear como segue:
Nicodemos—
“Rabi,
sabemos que és mestre vindo de Deus, pois ninguém pode fazer estes
sinais (milagres que tu fazes), se Deus não estiver com ele.” Contudo,
algumas de tuas palavras me parecem muito inconsistentes, e venho pedir
uma explicação.
Por
exemplo, tu e teus discípulos hão proclamado: “é chegado o reino dos
céus”, mas tu não tens um exército, nem riquezas, nem influência, e
segundo todas as aparências, essa é uma falsa pretensão, a qual dá
lugar a crer que enganas o povo.
Os
fariseus em geral te consideram como impostor, mas eu estou seguro de que
deve haver algo de verdade em teus ensinos, “pois ninguém pode fazer
estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele”.
O
objetivo de minha visita é o de perguntar-te: de que classe é, e de onde
vem este reino que tú proclamas? quando e de que maneira será
estabelecido?
|
| “Gerado” e “Nascido” do Espírito |
Jesus—
Teu
desejo de adquirir uma completa informação tocante ao reino dos céus não
pode ser te satisfeito até o grau de que consegues dar-te conta cabal
dele, não que eu não esteja plenamente certo de todos seus detalhes, senão
porque em tua condição presente, ainda quando te o expuser em sua
totalidade, não poderias entender ou apreciá-lo. “A menos que o homem
não seja gerado* do alto, não pode ver [grego — eidom**
— conhecer ou familiarizar-se com] o reino de Deus.”
|
| *A
palavra grega gennao (e seus derivados) que algumas vezes é
traduzida gerado e outras nascido, realmente contém
ambas idéias, e deveria ser traduzida por qualquer destas duas
palavras portuguesas segundo o sentido da passagem em que ocorre. As
duas idéias, gerar e nascer, sempre se encontram na palavra, de
maneira que se usa-se uma, sempre se implica a outra, posto que o
nascimento é a conseqüência natural do engendramento, e o
engendramento é o antecedente natural do nascimento. Quando o agente
ativo com o qual se associa gennao é masculino, deve traduzir-se
gerado; quando é feminino, nascido. Exemplos: 1 João
2:29; 3:9; 4:7; 5:1, 18. Nestas passagens gennao deveria
traduzir-se gerado, posto que Deus (masculino) é o agente
ativo.
Entretanto,
algumas vezes a tradução depende da natureza do ato, ou seja
masculino ou feminino. Isto se ilustra nos casos em que se usa em
conjunção com ek, que significa de; neste caso deveria
traduzir-se nascido. Em João 3:5, 6, gennao deveria
traduzir-se nascido, porque ocorre a palavra ek — “da
água”, “da carne”. “do espírito”. |
| **Esta
mesma palalvra grega está traduzida considerar em Atos 15:6,
AL; IBB, “Congregaram-se pois os apóstolos e os anciãos para considerar
[examinar, SBB] este assunto”. A mesma palavra está traduzida considerai
em Romanos 11:22, SBB, (considera, AL; IBB): “Considera [conheça,
entenda] pois a bondade e a severidade de Deus”; também em 1 João
3:1 — “Vede [considere; saibas, entenda] que grande amor nos tem
concedido o Pai”. |
|
Ainda
os meus discípulos apenas têm até agora vagas idéias do caráter do
reino que estão proclamando. Não posso explicar a ti, e pelo mesmo
motivo eles não podem entendê-lo.
Todavia,
Nicodemos, uma peculiaridade do proceder de Deus é a de que antes de dar
mais luz, demanda obediência de acordo com a luz já possuída, e na seleção
daqueles que hão de ser considerados dignos de participar do reino, é
requerida da parte destes uma manifestação de fé.
Os
tais devem sentir-se dispostos a ser passo a passo guiados por Deus, ainda
quando freqüentemente não podem discernir com claridade, senão apenas
um passo em frente deles. Os tais andam por fé e não por vista.
Nicodemos—
Não
te entendo. O que queres dizer? “Como pode um homem nascer, sendo velho?
porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?”
Acaso
queres dizer que o arrependimento predicado por João, o Batista,
expressado pelo batismo na água, é um nascimento simbólico?
Vejo
que os seus discípulos predicam e batizam similarmente. É este o novo
nascimento necessário para aqueles que desejariam ver ou entrar no teu
reino?
Jesus—
Nossa
nação é uma nação consagrada, tem um pacto. Quando saíram do Egito,
na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés. Deus os aceitou em
Moisés, o mediador desse pacto no Sinai; mas eles se hão olvidado do seu
pacto, alguns estão levando uma vida de publicanos e pecadores, e muitos
outros são hipócritas que a si mesmos se consideram justos, por isso a
pregação de João e de meus discípulos é o arrependimento —
volver-se a Deus e reconhecer o pacto feito; o batismo de João significa
este arrependimento e reforma de coração e da vida, mas não é o
novo nascimento.
A
menos que tenham mais que isto, não poderás ver o Reino. Verás meu
Reino se além da reforma simbolizada pelo batismo de João, recebes o
engendramento e nascimento do espírito.
O
arrependimento te porá de novo numa condição justificada, nessa condição,
facilmente me reconhecerás como o Messias, tipificado por Moisés e se a
mim te consagras, serás gerado pelo Pai a uma nova vida, para a
natureza divina, a qual sendo desenvolvida e vivificada, dará por
resultado que, na primeira ressurreição, naças como uma nova
criatura, um ser espiritual; como tal, não somente hás de ver, senão
que também tomarás parte no Reino.
A
mudança que efetuará este novo nascimento do espírito é
verdadeiramente grande, Nicodemos, o que é nascido da carne é carne, e o
que é nascido do Espírito é espírito.
Não
te surpreendas pois que primeiro eu te disse como tens que ser gerado
do alto antes de que possas entender, saber e apreciar as coisas
espirituais das quais tu inqueres. “Não te admires de eu te haver dito:
Necessário vos é nascer de novo.”
Muito
marcada é a diferença entre a tua condição presente, nascido da carne,
e a condição desses nascidos do Espírito, que entrarão ou constituirão
o Reino que predico. Para que possas ter uma idéia dos seres que
constituirão este reino quando hajam nascido do Espírito, te darei uma
ilustração:
“O
vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem
para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.”
Serão
como o vento que sopra aqui e ali e tú não podes vê-lo, ainda quando se
exerce uma influência em teu redor. Esta é a melhor ilustração que
posso dar-te acerca dos que nascerão do Espírito na ressurreição,
aqueles que “entrarão” ou constituirão o Reino o qual eu predico
agora.
Serão
invisíveis como o vento, e os não nascidos do Espírito, serão
incompetentes para dar-se conta donde vêm e para onde vão.
|
|
Como pode um homem nascer, sendo velho?
Arrependimento
não é o novo nascimento.
Engendramento
espiritual precede o nascimento espiritual.

Eliseu e o
seu Servo
|
Nicodemos—
Como
pode ser isso? — seres invisíveis!
Jesus—
“Tú
és mestre em Israel, e não entendes estas coisas?” Não sabes que os
seres espirituais podem estar presentes e ainda invisíveis? Tú que
procuras ensinar a outros, nunca hás lido acerca de Eliseu e seu servo,
ou sobre a asna de Balaão? e muitos outros incidentes em que as
Escrituras ilustram o princípio, de que os seres espirituais podem estar
presente sobre os homens, e no entanto invisíveis?
Além
disso, tu és dos fariseus, os que professam crer em anjos como seres
espirituais. Entretanto, isto corrobora o que te disse no princípio: A
menos que o homem seja gerado do alto, não pode ver [conhecer,
familiarizar-se com, entender de uma maneira razoável] o Reino de Deus
nem as várias coisas com ele relacionadas.
|
| “O ventro sopra onde quer, e ouvas a sua voz; mas
não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é
nascido do Espírito.” João
3:8 |
O que é
engendramento do espírito?
| *As
palavras “que está no céu” que aparecem em algumas versões
(vrso 13) não se encontram nos manuscritos mais antigos e fidedignos. |
|
Se
queres entrar e ser co-herdeiro comigo nesse reino que te anuncio, passo a
passo deves seguir a luz. Ao fazê-lo assim, mais luz te será dada tão
pronto como te encontras preparado para recebê-la. Estou te predicando as
coisas que podes entender e que são para serem entendidas agora, estou
levando a efeito milagres, me reconheces como um Mestre, vindo de Deus,
mas não tens feito conforme esta fé, não tens tornado-se publicamente
meu seguidor e discípulo.
Não
deves esperar ver mais até que faças segundo o que tens visto; então
Deus te dará luz e maiores demonstrações de seu favor para que possas
dar o seguinte passo.
“Em
verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e
testemunhamos o que temos visto e [vos fariseus] não aceitais o nosso
testemunho! Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis,
se vos falar das celestiais?”
Me
seria inútil tentar falar-te das coisas celestiais, pois não te
convencem, e a minha narração te pareceria cada vez mais tola.
Se
isto que tenho ensinado, que é de
um caráter terrestre, e que tenho ilustrado com coisas terrestres, as que
estão a teu alcance e podes entender, não hão podido convencer-te até
o grau de que abertamente venhas a ser meu discípulo e seguidor, não te
seriam mais convincentes coisas celestiais em caso de que te falasse delas,
porque não as conheces, e como nenhum homem subiu ao céu, ninguém
poderia corroborar meu testemunho. Eu, somente, eu que tenho descido do céu,
posso entender as coisas celestiais.
“Ora,
ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem.”
*Somente depois de ser gerado do Espírito é quando se pode ter um
conhecimento das coisas celestiais, e estas apenas podem ser gozadas pelos
seres nascidos do Espírito, como seres espirituais.
|

Jesus
ensinou acerca dum reino terrestre. |
Vemos
que ao explicar a natureza do reino aos que por suas predisposições e
educação, não podiam ter mais que opiniões errôneas acerca da fase
terrestre dele, requeria paciência da parte do Senhor. Entretanto, a eleição
da classe do povo apropriado, para participar no reino do Messias
prosseguia, ainda quando somente uns poucos foram os escolhidos de Israel,
a quem exclusivamente se lhes ofereceu por sete anos.
Como
Deus havia previsto, por causa de sua falta de preparação para ele, e
faltando de compreender e cumprir as condições requeridas, como nação,
foi tirado deles o privilégio de participar no reino do Messias, havendo-o
aproveitado somente um número reduzido; logo foi apresentado aos gentios,
para tomar dentre eles também “um povo para o seu Nome”. Dentre estes,
igualmente, só um número reduzido, “um pequeno rebanho”, apreciam
tal privilégio, e são contados dignos de ser co-herdeiros de seu reino e
de sua glória.
|
| O Reino de
Deus ainda não tem reinado na terra. |
Muito
sério tem sido o erro introduzido na Igreja cristã nominal, a que,
segundo o seu modo de entender, se refere simplesmente à Igreja nominal
em sua condição presente, e que sua obra é apenas uma obra de graça
nos corações dos crentes; este erro se tem feito chegar a tal extremo,
que a presente e iligítima aliança da Igreja nominal com o mundo é
considerada por muitos como o Reino de Deus na terra.
É
certo que num sentido, a Igreja é agora o Reino de Deus, e que se está
levando a efeito uma obra de graça nos corações dos crentes; mas crer
que isto é tudo, e negar que um verdadeiro e futuro Reino de Deus ainda
está para estabelecer-se debaixo de todo o céu, no qual se fará a
vontade de Deus assim como é feito no céu, é nulificar e invalidar as
mais diretas e marcadas promessas que para nosso consolo e nossa ajuda em
vencer o mundo, nos foram dadas, a saber, por meio do Senhor, dos apóstolos
e dos profetas.
|
| Fidelidade
Cristã.

O Reino
terrestre de Cristo alcançará à terra inteira.
|
Nas
parábolas do Senhor, a Igreja freqüentemente é denominada como o reino,
e o Apóstolo quando disse que Deus nos tirou do poder das trevas, e nos
transportou para o reino do seu Filho amado, falava acerca dela como o
reino sobre o qual Cristo agora reina. Nós, os que agora aceitamos a
Cristo, reconhecemos que ele tem comprado o direito do domínio, e
transbordamos de regozijo e voluntariamente lhe tributamos homenagem e
obediência antes de que a força o estabeleça no mundo.
Reconhecemos
a diferença que existe entre as leis justas que Ele implantará, e as
deste reino tenebroso que tem estabelecido o usurpador, agora príncipe
deste mundo. A fé nas promessas de Deus transfere nossa submissão e
lealdade; nos reconhecemos como súditos do novo Príncipe, e, por meio de
sua graça e de seu favor, co-herdeiros com Ele nesse reino ainda por
estabelecer-se com poder e grande glória.
Mas
isto de nenhuma maneira anula as promessas de que finalmente o reino de
Cristo será um “de mar a mar, e desde o rio até as extremidades da
terra” (Salmo 72:8, AL; IBB); que todos os domínios o servirão, e lhe
obedecerão, e que diante dele se dobrará todo joelho dos que estão nos céus,
e na terra. (Daniel 7:27; Filipenses 2:10) Antes, ao contrário, a presente
seleção do “pequeno rebanho” confirma essas promessas.
|
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“Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra longínqua, a fim de
tomar posse de um reino e depois voltar.”
Lucas 19:12
|
Ao
examinar cuidadosamente as parábolas do Senhor, se verá que claramente
ensinam como um acontecimento futuro a vinda ou estabelecimento do Reino
de Deus com poder, e por suposto, não tomando lugar senão até depois da
chegada do Rei.
Isso
podemos ver na parábola de certo homem nobre que partiu para uma terra
longínqua a fim de tomar posse de um reino e depois voltar, etc. (Lucas
19:11-15, IBB), a qual claramente localiza o estabelecimento do Reino na
Segunda vinda de Cristo. E muitos anos depois, a mensagem enviada pelo
Senhor à Igreja foi:
“Sê
fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Apocalipse
2:10)
Disto,
logicamente se infere que os reis que hão de estar associados com Ele
quando se estabelecer o reino, não serão coroados nem reinarão nesta
vida.
|
| O Reino de
Deus ainda não está estabelecido em glória e poder. 
|
Por
tanto, a Igreja no tempo presente não é o Reino de Deus estabelecido em
poder e grande glória, mas somente o é em seu estado incipiente e
embrionário. Tal coisa indicam todos os textos do Novo Testamento que se
referem a este ensino. Até agora, o reino dos céus é tomado a força da
parte do mundo; ao Rei maltrataram-no e crucificaram-no, todos os que nas
suas pisadas de uma maneira ou de outra, padecerão perseguições e violência.
Se
observará que isto é certo apenas da Igreja verdadeira, mas não
da nominal. Não obstante, é nos feita a promessa de que se nós (a
Igreja, o reino em embrião) sofrermos com Cristo, quando no tempo
oportuno Ele tomar para si o seu grande poder, e começar a reinar,
seremos glorificados e com Ele também reinaremos.
|

Parábola
do Publicano e do Pecador
“E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma
agulha, do que entrar um rico no reino de
Deus.”
Mateo 19:24 |
Tiago
(2:5), em harmonia com o ensino do nosso Senhor, nos disse que Deus tem
escolhido os que são pobres e desprezados segundo o modo de julgar do
mundo, não para que agora reinem, mas como “herdeiros do reino
que prometeu”. O Senhor disse:
“Quão
dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” (Marcos
10:23)
É
evidente que Ele não deu a entender como o reino para a Igreja nominal, a
qual agora está reinando com o mundo, porque os ricos são forçados a
entrar nela. Aos herdeiros do reino, Pedro exorta à paciência, à
perseverança, à virtude e à fé dizendo-lhes:
“Portanto,
irmãos, procurai mais diligentemente fazer firme a vossa vocação e eleição;
porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será
amplamente concedida a entrada no reino eterno do nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo.” — 2 Pedro 1:10, 11, IBB.
|

Porta
do Fundo da Agulha —
Os
homens podiam passar facilmente pela Porta; mas animais grandes, tais
como camelos, tinham que descarregar-se e ficar de joelhos para passar.
|

Porta
de Jope –
Colocada
ao lado oeste de Jerusalém,
a Porta
de Jope tem um “fundo (orifício) da agulha,” uma abertura pequena
usada como entrada de seguridade na noite, quando a Porta grande estava
seguramente cerrada. |
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| Liberdade
Cristã |
Alguns
crêem que o dito por Paulo em Romanos 14:17 se refere a um reino figurativo,
mas quando se examina junto com o contexto, se põe de manifesto que essa
passagem simplesmente significa o seguinte: Irmãos, nós, os que temos
sido transportados para o reino do Filho amado de Deus, temos certos
direitos quanto ao alimento e outras coisas, liberdades que não gozávamos
como judeus sob a lei (verso 14); no entanto, melhor não aproveitarmos
estas liberdades se são motivos de tropeço ou entristecem a consciência
dos irmãos que ainda não se hão dado conta dessas liberdades.
Ao
fazer uso de nossas liberdades, não demos margem para causar dano a nosso
irmão por quem Cristo morreu, mas recordemos que os privilégios do reino,
tanto agora como no futuro, consistem de maiores bênçãos do que a
liberdade quanto ao alimento; tais bênçãos são nossa liberdade
relativamente ao fazer o bem, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor
Jesus Cristo, e nosso gozo de participar do Espírito Santo de Deus. Estas
liberdades do reino (agora e sempre) são tão grandes que as menores
liberdades referentes ao alimento, podem muito bem ser sacrificadas,
quando for necessário, em benefício do irmão.
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Cristãos
têm que ser vencedores para sentar-se com Jesus no trono do Seu Pai e
reinar sobre as nações na terra.

O vencer
requer a morte no serviço do Senhor.
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De
maneira que não importa sob que ponto de vista bíblico miramos o assunto,
encontramos as Escrituras contradizendo a idéia de que as promessas do
reino são apenas enganosas e míticas, ou que as da condição presente
é o cumprimento destas promessas.
Para
a Igreja primitiva, as promessas de honra, e de ser co-herdeiros com
Cristo, serviram de estímulo para que permanecessem fiéis sob as angústias
e perseguições que de antemão se lhes havia dito que as encontrariam;
entre as palavras animadoras e cheias de consolo que se encontram no
Apocalipse como dirigidas às sete igrejas, as seguintes sobressaem em
esplendor e doçura:
“Ao
que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim
como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.” “Ao que vencer,
eu lhe darei autoridade sobre as nações”.
Estas
promessas não podem entender-se como referindo-se a uma obra de graça que
agora se está efetuando no coração; tampouco a um reino sobre as nações
na vida presente; porque os que serão vencedores terão que sê-lo morrendo
no serviço, para ganhar assim as honras do reino. — Apocalipse 20:6.
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“Já estais fartos! já estais ricos! sem nós já chegastes a reinar! e
oxalá reinásseis de fato, para que também nós reinássemos convosco!”
1 Coríntios 4:8

Paulo
predigou que a suferinza presente seria seguido pelo reinar futuro.
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Quão
certo é que a natureza humana procura evitar o sofrimento e sempre está
disposta para apoderar-se da honra e poder; por isto encontramos que ainda
no tempo dos apóstolos, alguns membros da Igreja estiveram prontos para
apropriar-se, para a vida presente, as promessas de honra e poder futuros,
e começaram a proceder como se já houvesse chegado o tempo para que o
mundo honrasse e obedecesse a Igreja.
O apóstolo
Paulo escreve corrigindo este erro, sabendo que tais idéias teriam um
efeito prejudicial sobre a Igreja, cultivando o orgulho e apartando-a do
caminho do sacrifício. Disse-lhes ironicamente: “Já estais fartos! já
estais ricos; sem nós já chegastes a reinar”! E logo com ardor
acrescenta: “e oxalá reinásseis de fato, para que também nós (os
perseguidos apóstolos) reinássemos convosco”! (1 Coríntios 4:8, IBB)
Estavam
gozando do privilégio de ser cristãos tratando de sacar do cristianismo, e
com o cristianismo, toda a honra possível; o Apóstolo muito bem sabia que
se eles continuassem fiéis como seguidores do Senhor, não se
encontrariam em tal condição. Portanto, ele lhes recordou que se na
verdade houvesse chegado o reino por tão longo tempo esperado, então ele se encontraria reinando tanto com eles, e que o fato de que ele, por
causa de sua fidelidade estava sofrendo pela verdade, provava que o reinado deles era prematuro, e um laço, em vez der ser algo de que gloriar-se. Logo,
com um toque irônico agrega:
“Nós (apóstolos e fiéis seguidores) somos
loucos por amor (causa) de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos,
e vós fortes, vós ilustres, e nós desprezíveis.”
Não escrevo estas coisas para vos envergonhar,
tendo um objetivo maior e mais nobre — PARA VOS ADMOESTAR; o caminho de
honras agora não conduz à glória nem à imortalidade que há de ser revelada; somente o
sofrimento e a abnegação
de si mesmo, constituem o caminho apertado à glória, e à honra, e à
imortalidade e o privilégio de ser co-herdeiros com Cristo no reino.
Exorto
vos, portanto, a que vos torneis meus imitadores. Sofrei, sede
injuriados e perseguidos agora para que comigo possais participar da coroa
da vida, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não
somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. — 1 Coríntios
4:10-17; 2 Timóteo 4:8, IBB; AL.
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| A igreja
verdadeira ainda não tem reinado sobre a terra. 
O Papa
coroando a Charlemagne
|
Mas,
depois que a Igreja primitiva havia sofrido fielmente muitíssimas
perseguições, as teorias de que a missão da Igreja era a de conquistar
o mundo, estabelecer o reino dos Céus sobre a Terra, e reinar sobre todas
as nações antes da
segunda vinda do Senhor, principiaram a propagar-se.
Isto serviu de fundação para a intriga mundana, a pompa, e o orgulho, a
ostentação e as cerimônias da Igreja, com a intenção de impressionar,
de cativar, e inspirar temor ao mundo, passo a passo conduzindo-a para
proferir as grandes pretensões do Papado, ao efeito de que sendo o reino
de Deus sobre a terra, teria o direito de exigir o respeito e a obediência
a suas leis e a seus agentes, em todas as nações, tribos e povos.
Sob
este falso reclame (e aparentemente lograram enganar-se a si mesmos o mesmo
que aos demais), o Papado por algum tempo coroava e descoroava os reis por
toda a Europa, e ainda hoje em dia pretende ter essa autoridade, apesar de
achar-se agora incapacitado para pô-lo em prática.
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|

|
O
Protestantismo tem tomado a mesma idéia do Papado, pois também pretende,
ainda quando de uma maneira mais vaga, para que de algum modo o reinado da
Igreja vá em progresso e o mesmo que os coríntios, seus aderentes já
estão fartos! já estão ricos! e já chegaram a reinar! como tão
graficamente os descreve o nosso Senhor. (Apocalipse 3:17, 18)
Tal
coisa tem acontecido até o extremo de que os membros nominais da Igreja
— os não realmente convertidos, que não são trigo na reealidade, senão
joio, a imitação do trigo — excedem em grande maioria o número dos
verdadeiros discípulos de Cristo. Os tais, decididamente se opõem à
abnegação e ao sacrifício verdadeiros, e não querem sofrer perseguições
por amor da justiça [pela verdade]; ao mais, por pura fórmula, praticam
certas classes de jejum, e coisas por estilo.
Na
realidade, estão reinando com o mundo, e não estão preparando-se para
participar no reino verdadeiro, o qual será estabelecido pelo nosso Senhor
em sua segunda presença.
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| Não pode
haver nenhum reino sem rei. |
Qualquer
observador cuidadoso se dará conta da manifesta incongruência entre esta
opinião e os ensinos de Jesus e dos apóstolos. Eles ensinaram que não
pode haver reino antes que venha o Rei. (Apocalipse 20:6; 3:21; 2 Timóteo
2:12) Conseqüentemente, o reino dos céus deve sofrer violência até
esse tempo, em que será estabelecido com poder e grande glória.
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| “Ao que vencer, eu lhe concerderei que se sente comigo no meu trono; assim
como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.” — Apocalipse 3:21 |
Duas
Fases do Reino de Deus
Ainda
quando é certo como disse nosso Senhor, que o Reino de Deus não vem
— não faz sua primeira aparição — com aparência exterior, entretanto,
no tempo oportuno, por meio de sinais externos, visíveis e inequívocos,
será manifestado a todos. Quando se estabelecer por completo, consistirá
de duas partes, a fase espiritual ou celestial e a humana ou terrestre.
A
fase espiritual sempre será invisível aos homens, porquanto os que a hão
de formar serão da natureza divina, espiritual, a qual nenhum dos homens
tem visto, nem pode ver (1 Timóteo 6:16, IBB, João 1:18) mas, seu poder e
sua presença serão grandiosamente manifestados principalmente por meio de
seus representantes humanos, os que constituirão a fase terrestre do Reino
de Deus.
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|
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Os
santos vencedores da Idade Evangélica — o Cristo, Cabeça e corpo —
serão os que hão de compor a fase espiritual do reino, ao serem
glorificados. Sua ressurreição e exaltação ao poder precederá a de
todos os demais, porque por meio desta classe todos os outros serão abençoados.
(Hebreus 11:39, 40) A deles é a primeira ressurreição. (Apocalipse
20:5)*
A
grandiosa tarefa que emprenderá esta gloriosa companhia ungida — o
Cristo — requere a sua exaltação à natureza divina; unicamente o
poder divino poderá levá-la a cabo; sua obra será não somente
relacionada com este mundo, mas tam bém com todas as coisas no céu e
na terra, tanto entre os seres espirituais como entre os humanos. —
Mateus 28:18; Colossenses 1:20; Efésios 1:10; Filipenses 2:10; 1 Coríntios
6:3.
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*Neste versículo (SBB) as palavras
“os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil
anos”,
são espúrias. Não se encontram nos manuscritos gregos mais antigos e
de maior crédito, tais como o Sinaítico e o Vaticano Nos. 1209 e 1160;
tampouco se encontram no manuscrito Siríaco.
Devemos recordar que muitas passagens que se encontram nas cópias
modernas são intercalações que não pertencem propriamente à Bíblia.
Visto que é ordenado que não acrescentemos à Palavra de Deus, por isso
é nosso dever de repudiar tais intercalações tão logo como se comprova o
seu caráter falso.
As palavras indicadas provavelmente foram introduzidas no texto
acidentalmente, no século quinto, por que nenhum manuscrito de data
anterior (seja grego ou seríaco) contém esta cláusula.
Provavelmente no princípio foram apenas um comentário marginal
escrito por algum leitor, tratando de dar sua opinião acerca do texto, e
logo foi acrescentado ao texto por algum transcritor subseqüente que não
soube distinguir entre o texto e o comentário.
Entretanto, o repúdio desta cláusula não é essencial ao “Plano”
que aqui se apresenta, porque o resto dos mortos — o mundo em geral — em
sentido pleno da palavra, no sentido em que Adão viveu antes de
pecar e cair sob a sentença “morrendo morrerás” não viverá
outra vez senão até o final dos mil anos.
A vida perfeita, sem debilidades nem agonia, é o único sentido em que
Deus reconhece a palavra vida. Desde seu ponto de vista, o mundo
inteiro já tem perdido a vida, e podia mais apropriadamente considerar-se
como morto do que como vivo — 2 Coríntios 5:14; Mateus
8:22.
A palavra ressurreição (do grego anastasis) significa levantamento.
Em referência ao homem, significa levantá-lo à condição da qual
caiu, para a plena perfeição da virilidade que perdeu por causa de Adão.
A perfeição da qual nossa raça caiu, será a perfeição até a
qual gradualmente se levantará durante a Idade Milenária, o tempo da
restituição ou ressurreição (levantamento).
A Idade Milenária não é apenas uma idade de prova, mas também de bênçãos,
na qual, por meio da ressurreição ou restituição da vida, tudo o que foi
perdido será restaurado aos que ao ter conhecimento e apresentar-se lhes a
oportunidade gostosamente obedecem.
O processo da ressurreição será gradual, e requererá toda essa idade
para o seu pleno cumprimento; ainda quando o despertar para gozar de uma espécie
de raciocínio e vida, como os presentes, será por suposto instantâneo.
Por conseguinte, apenas será até que os mil anos hajam terminado quando a
raça obterá a completa medida de vida que perdeu em Adão.
E desde que tudo que não é vida perfeita se considera como uma condição
de morte parcial, deduzimos que apesar de não serem autênticas as
palavaras em discussão, seria estritamente correto o dizer, que o resto dos
mortos não viverão outra vez (não voltarão a obter a plenitude de
vida que perderam) até que os mil anos de restituição e bênção se
completem. |

O quê
significa a Ressurreição?

“Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos
os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão:
“Os
que tiverem feito o bem, para a ressureição da vida, e os que tiverem
praticado o mal, para a
ressurreição do juízo. (grego
‘krisis’),”
João 5:28, 29
O trabalho
do Reino de Jesus e a igreja.
Quens são os “antigos dignitários”?

Abraão
|
A
esperança judaica –
Crendo
que o Reino de Deus seria estabelecido em Jerusalém e todas as nações
viria à “casa do Deus de Jacó,” túmulos judaicos densamente
cobrem os declives do Monte de Olivas, dando evidência à fei judaica
nas promessas de Deus dum reino e da ressurreição.
|
A
esperança maometana —
Quando
vem o Messias, entrará a Jerusalém pela Porta Áurea; daqui a
ressurreição e o julgamento começarão de este lugar.
Aqueles
que não podem andar a línea da justiça
cairão no Vale da Morte abaixo. Túmulos maometanos rodeam à Porta
Áurea, esperando ao Messias.
|
A
esperança
cristã —
Um
cemetério cristão se encontra no Vale de Cedron entre o cemetério judaico
(no Monte das Oliveiras no leste) e o cemetério maometano (no Monte
de Moriá ao oeste).
Quando Cristo volve, julgará
ao mundo em justiça.
|
A
tarefa da fase terrestre do Reino de Deus será limitada a este mundo e à
humanidade. Os que hão de ser tão altamente honrados para tomar parte nela,
serão os mais exaltados e glorificados por Deus entre os homens. Estes compõem
a classe da qual se faz referência no Estudo VIII (Pag. 145), cujo dia do
juízo foi antes da Idade Evangélica.
Havendo
sido provados e encontrados fiéis, ao serem despertados não serão de novo
trazidos ao juízo, mas imediatamente receberão a recompensa de sua
fidelidade — instantaneamente serão ressuscitados à perfeição humana
(todos os demais fora destes e da classe espiritual, serão gradualmente
levantados até a perfeição durante a Idade Milenária). De maneira que a
dita classe estará pronta desde logo, para sua grande tarefa, como agentes
humanos de Cristo na obra de restaurar e de abençoar o resto da humanidade.
Assim
como a natureza espiritual é necessaria para levar a conclusão a obra de
Cristo, igualmente, a natureza humana perfeita é apropriada para a futura
execução do trabalho que se fará com os homens. Estes ministrarão entre
os homens e poderão ser vistos por eles, ao mesmo tempo que a glória de
sua perfeição será um exemplo constante e um incentivo para que os demais
procurem obter a mesma perfeição.
O
fato de que estes antigos dignitários se encontrarão na fase humana do
reino, e que serão vistos pela humanidade, está testemunhado pelas
palavras de Jesus dirigindo-se aos descrentes judeus que o rejeitavam; lhes
disse: vereis
“no
reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó, e todos os profetas”.
Não
devemos passar sem advertência o fato de que o Mestre não fez menção, de
que ele mesmo, ou os apóstolos seriam vistos juntamente com Abraão. Os
homens poderão ver e misturar-se com a fase terrestre do reino, mas não
com a espiritual, e é bem seguro, que muitos se sentirão bastante
mortificados, por haver desprezado a honra tão grande. |
| Como
operarão as duas fases do Reino?

Moisés
|
Não
é nos subministrada informação explícita quanto à maneira exata em
que operarão harmoniosamente estas duas fases do reino celestial; no
entanto, com tratos de Deus com Israel, por meio de seus representantes,
Moisés, Arão, Josué, os profetas, etc. — temos uma ilustração da
maneira que possívelmente operarão, ainda quando as manifestações
futuras do poder divino excederão em grandwe maneira as dessa idade típica,
porque a obra da idade vindoura compreende o despertar de todos os mortos
e a restauração dos obedientes à perfeição.
Esta
obra requererá o estabelecimento de um governo perfeito entre os homens,
com homens perfeitos nos postos do poder, para que possam dirigir os negócios
do Estado de uma maneira beneficiosa, e apropriada. Será necessário também
de pôr em ação adequadas conveniências educacionais, o mesmo que várias
medidas filantrópicas.
E
esta nobre tarefa de elevar a raça de tal maneira, a passos certos e firmes
(sob a direção dos membros espirituais invisíveis do mesmo reino), é a
alta honra designada para os antigos dignitários, e para o desempenho da
qual, eles virão preparados tão logo que finalize a demolição, dos
reinos do mundo, e Satanás, seu príncipe, haja sido amarrado. Então como
representantes do reino celestial, divinamente enaltecidos e honrados,
receberão a honra e a cooperação de todos os homens.
|
| Quando a
humanidade no fim dos mil anos permanece justa, o reino será devolvido a
Deus. |
O
conseguimento de um lugar no fase terrestre do reino de Deus, será colmar
todos os desejos e aspirações legítimos do coração humano perfeito.
Desde que se entre em possessão dela, será uma gloriosa e satisfatória
porção, entretanto, a glória irá acumulando-se com o tempo e em proporção
a que avança o progresso da bendita tarefa.
E
quando, no fim dos mil anos, o Cristo (ajudado em grande escala pela ação
destes nobres colaboradores humanos) haja levado à conclusão a grandiosa
obra da restituição; quando a raça humana inteira (excetuando os
incorrigíveis — Mateus 25:46; Apocalipse 20:9) se encontre na presença
de Jeová, aprovada, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante,
estes que serviram de instrumentalidade em levar à conclusão tal obra,
resplandecerão “como as estrelas sempre e eternamente” (Daniel 12:3)
entre os demais homens, diante de Deus, de Cristo e dos anjos.
Sua
obra de amor jamais será esquecida pelos seus gratos companheiros. Ficarão
em memória eterna. — Salmo 112:6, | |